Renato Russo e Picasso (sem trocadilhos)

Não é pouca gente que tem uma análise, teoria ou crítica sobre Renato Russo. Mas dias desses comecei a pensar em uma tese que me pareceu um pouquinho original, a ponto de arriscar dividi-la com vocês. Antes, porém, devo explicar que aqui em Brasília parece haver três tipos de roqueiro (com ou sem banda) — os que desprezam totalmente o Renato; os que acham o começo da Legião legal, mas a partir do quarto ou quinto disco a coisa foi ficando ruim; e, por fim, os que acham o cara tão foda que não conseguem sair da sombra dele.

Calma. Se você não se sentiu representado por nenhuma das categorias, digo que eu também não me sinto. Eu gosto pacas de Legião. E continuei gostando mesmo nos discos finais. ‘Meninos e Meninas’, ‘Teatro dos Vampiros’, ‘Vinte e nove’ figuram entre minhas músicas prediletas da banda, ao lado ‘Geração Coca-Cola’ e ‘Tempo Perdido’. Mas devo dizer que sempre me senti um estranho na minha turma, formada por caras que ou não dão muita bola pra Legião ou só curtem o começo.

Minha teoria parte da idéia de que o Renato não seria tão popular se ele não tivesse dado a guinada que deu a partir do ‘Quatro Estações’. Tudo bem, ele já tinha feito ‘Eduardo e Mônica’. Mas nos quarto, quinto e sexto discos ele arrisca uma poesia tão cotidiana que assustou de montão os roqueiros. Falo de versos como "Me empresta um par de meias e a gente faz uma feijoada", ou "Deixo a onda me acertar", ou "Acho que gosto de São Paulo e gosto de São João", ou ainda "Ela me disse que trabalha nos Correios e que namora um menino eletricista". Não me esqueço do dia em que, depois de ouvir o ‘V’ e ter achado ‘Vento no litoral’ meio brega, abri a janela e vi o rapaz que lavava os carros lá de casa todo feliz cantado a tal canção, que tocava na rádio que ele costumava ouvir (também brega para mim).

Bruno Golemvsky, ator que encarnou Renato na peça teatral sobre a vida dele, disse uma vez que o líder da Legião podia ser um artista cult, mas quis ser popular. Ele mandou bem demais quando falou isso. Porque o lado popular de Renato foi mesmo uma opção. Ele já tinha demonstrado erudição e capacidade de compor versos complexos, mas decidiu mudar. Nenhum outro roqueiro brasileiro foi tão ousado como Renato, nem tão bem sucedido ao promover uma guinada na forma de compor.

Mas só pode fazer isso quem já acumulou muita bagagem. Renato leu, consumiu muita música, era íntimo da obra de grandes autores. Por mais que ousasse, não corria o risco de regredir e escrever algo de má qualidade. Um equívoco aqui outro ali, é claro, podiam acontecer. Mas ele havia estabelecido uma capacidade tamanha de escrever letras de canções que conseguiu produzir versos simples, mas nada simplistas. Quando ouço as músicas da fase final da Legião, além de me inspirar a escrever de forma cada vez mais cotidiana, lembro daqueles vários esboços, complexos pacas, que Picasso fez de um touro até chegar à forma final, composta de cinco linhas. No final, Renato parecia compor assim. Economizando nos traços, mas não no significado de suas canções.

PS: Pros desafetos que pensaram que me encaixo no terceiro tipo de roqueiro brasiliense, que não conseguiu sair da sombra de RR, só tenho uma coisa a dizer: vocês estão enganados.

Texto por Beto Só - músico, compositor e jornalista. Tem dois discos gravados, 'Lançando Sinais' e 'Dias Mais Tranqüilos', ambos por Senhor F Discos. Leiam mais textos de sua autoria em seu blog.

Marcelo Bonfá - Mobile (2007)

Marcelo Bonfá lança seu álbum MOBILE com exclusividade em formato digital em seu site ou no iMusica.
Marcelo Bonfá é compositor e baterista que fez escola na maior banda de rock do Brasil, a Legião Urbana, banda que contruiu ao lado de Renato Russo e Dado Villa-Lobos ao longo de mais de 20 anos de carreira.
Sucessor de O Barco Além do Sol, que atingiu marca superior a 30 mil cópias vendidas pela gravadora Trama, e Bonfá + Videotracks (Giz/Emi), um trabalho audio-visual inovador e cultuado principalmente entre seus fãs na internet, MOBILE dá sequência à carreira solo de um dos músicos mais influentes do Brasil.
Segundo palavras do próprio Bonfá, o MOBILE pode ser definido por meio da tradução literal de seu título:“Uma escultura abstrata móvel, constituída de formas suspensas no espaço, de maneira equilibrada e harmoniosa…o que induz, incita e motiva alguém a uma ação”.

Músicas (mp3.zip):
1. Mobile
2. A ponto de partir
3. De onde os sonhos vêm
4. Compaixão
5. Desencanto
6. Por um instante
7. Difícil de esquecer
8. Quase sempre
9. Castelos de areia
10. Contando estrelas

Site: marcelobonfa.com.br

Compre o Mobile no iMusica

Info & Buy: BuscaPé • MercadoLivre • Submarino • Amazon • CD Universe • Insound • 7digital

Renato Russo - Por Toda Minha Vida

Por Toda Minha Vida: Renato Russo foi apresentado na Globo na última sexta-feira dia 14 de Setembro de 2007. E no dia seguinte já estava disponível no ótimo blog WorldVix em ótima qualidade.
No mais... tente não se emocionar...

Bloco 1: Tempo: 25'40" - Tamanho: 482 MB

Bloco 2: Tempo: 11'32" - Tamanho: 217 MB

Bloco 3: Tempo: 30'52" - Tamanho: 579 MB

Obs.: Para assistir cada bloco, você terá que baixar todas as partes, pois os arquivos ficaram grandes, devido a alta qualidade de video... Formato AVI.

Créditos e agradecimentos: WorldVix

Legião Urbana - Ao Vivo na ABO - DF (1983)

Legião Urbana em um de seus primeiros shows - ainda com Renato Russo no contra-baixo, antes da entrada do Renato Rocha e com Dado Villa-Lobos na guitarra e Marcelo Bonfá na bateria - na ABO, em Brasília, Destrito Federal em abril de 1983, na verdade, parte do show, pois o início não foi gravado mas, vale a pena pelas músicas, pelos papos, pela raridade e até pela qualidade de gravação (em se tratando da precariedade desse tempo)...

Ao Vivo, ABO-DF (1983)
1. Petróleo do Futuro
2. Renato falando...
3. Renato falando...
4. Música Urbana
5. Teorema
6. Renato falando...
7. Ainda é Cedo
8. Renato falando...
9. O Reggae

NOVO LINK: [ DL ]

Informações e compras: Legião Urbana

Renato Russo - O Trovador Solitário (1982)

Renato Russo como O Trovador Solitário em 1982, período pós Aborto Elétrico e pré Legião Urbana. Renato começou a se apresentar num esquema voz e violão, abrindo shows das bandas amigas de Brasília, período de algumas vaias do público punk mas, de fundamental importância para um compositor aberto à outras influências como o folk de Bob Dylan e Nick Drake. Esta gravação é dos registros de Renato de suas canções com um gravarzinho desses que todo mundo tinha no início dos anos 80. Interessante notar que algumas letras ainda não haviam tomado a forma definitiva que viriam a ser conhecidas mais adiante.

1. Dado Viciado
2. Eduardo e Mônica
3. 18 e 21
4. Geração Coca-Cola
5. Veraneio Vascaína
6. Anúncios de Refrigerante
7. Marcianos Invadem a Terra
8. A Canção ao Senhor da Guerra
9. Boomerang Blues
10. Faroeste Cabolclo

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Aborto Elétrico - Æ Ao Vivo na UnB (1978)

Æ ou Aborto Elétrico (como todos conhecem) ao vivo na UnB, em Brasília DF, em 1978 - provavelmente (no máximo 79 ou 80). Claro que a gravação é lo-fi mas, as canções estão gravadas nas páginas da história recente de nosso país, literalmente. A primeira banda de Renato Russo já cunhava clássicos no rock brasileiro como "Fátima", "Veraneio Vascaína", "Conexão Amazônica" e "Que País É Este", posteriormente gravadas pela Legião Urbana de Renato e pelo Capital Inicial de Fê e Flávio Lemos que também faziam parte do seminal Aborto Elétrico - primeira banda punk-rock do Brasil.

Aborto Elétrico - Ao Vivo na UnB
1. Fátima
2. Construção Civil
3. Ficção Científica
4. Veraneio Vascaína
5. Conexão Amazônica
6. Que Pais É Este
7. Love Song For One
8. Tédio

NOVO LINK: [ Download pelo Rapidshare ]

Site de fã: Æ

Informações e compras: Æ ou Legião Urbana

Legião Urbana no Jô Soares 11:30 em 1994


Segunda entrevista da Legião Urbana no programa Jô Soares 11:30. À época, 1994, estavam lançando seu sexto álbum de estúdio, o disco O Descobrimento do Brasil, que eu ainda comprei em vinil quando foi lançado no final de 1993. Renato falou um pouco da concepção da arte do álbum, falou sobre sua dependência química e também das dificuldades da banda no palco, entre outros assuntos.

Pena que só há disponível no YouTube, o início da entrevista, que pelo que eu me lembro, durou entre 25 e 30 minutos, a exemplo da primeira. Recordo também que, apesar de estarem lançando seu sexto álbum, eles tocaram no final, "Que País é Este". Talvez por ainda não terem ensaiado as novas canções com a banda de apoio da época.

P.S.: Se alguém souber onde tem o restante da entrevista, me avisa nos comentàrios, para completar-mos este post.

Legião Urbana no Jô Soares 11:30 em 1989


Esta foi a primeira das duas vezes que a Legião Urbana foi entrevistada no programa Jô Soares 11:30, em 1989, que na época, era um grande sucesso da programação do SBT, quando a banda estava finalizando o álbum As Quatro Estações. Falou-se do início da banda, da nova orientação que Renato pretendia dar às novas letras, menos políticas, mais espirituais.


O Jô também perguntou sobre o incidente no estádio Mané Garrincha. A certa altura, Renato comentou que eles eram chatos por não querer falar de assuntos que todos esperavam que falassem, por não querer se repetir, o Jô recrutou imediatamente dizendo que não os achava chato de maneira alguma.


No número musical, Renato dedicou um belo standart americano ao aniversário de um ano do programa, depeois emendou "Que País é Este" com citações de "Ideologia" do Cazuza e "Desordem" dos Titãs, ambas foram tocadas pela banda com o auxílio luxuoso do então Quarteto 11:30.